Narrativas e Representações Transculturais do Amor

Estudos recentes recolocaram as questões do afeto e da emoção no centro da investigação humanística. Os estudos sobre o amor, em particular, assentam agora em duas orientações complementares — a teoria dos afetos (que historiciza e politiza o sentimento) e a ciência afetiva propriamente dita (que considera as dimensões empíricas, cognitivas e fisiológicas) — e tratam o amor tanto como uma experiência individual ou íntima como também como um fenómeno que é mediado socialmente.

O amor, sendo simultaneamente universal e culturalmente específico, tem assumido igualmente uma pluralidade transcultural e histórica, sujeita a mudanças económicas, sociais e tecnológicas (incluindo os meios digitais) que remodelam a forma como o amor é narrado e praticado (ciberamor, relações humano-máquina).

O amor não é meramente privado: está inserido em formações ideológicas e em comunidades emocionais que mobilizam valores partilhados. Os estudos feministas, queer, antirracistas e sobre deficiência há muito que destacam o afeto como algo de político; o amor pode funcionar tanto como um instrumento de dominação como um recurso de crítica e solidariedade.

Em suma, o conceito de amor transcende fronteiras culturais, linguísticas e temporais, exprimindo-se de formas distintas, mas interligadas, nas sociedades humanas. Desde mitologias antigas e filosofias clássicas até culturas digitais contemporâneas, o amor tem sido narrado, teorizado, incorporado e representado em formas que revelam impulsos universais e significados culturalmente específicos.

Nesta XXVIII edição do Colóquio de Outono convidam-se académicos de todas as origens e áreas a explorar as narrativas e as representações transculturais do amor, desde as Civilizações Antigas até ao século XXI, com um interesse particular na forma como o amor é conceptualizado, traduzido e representado em diferentes culturas, períodos históricos e media.

O principal objetivo é promover diálogos interdisciplinares que iluminem as interseções do amor com questões de identidade, poder, migração, media e representação artística. Ao examinar como o amor viaja – através de fronteiras, géneros e tecnologias – procura-se compreender como este se torna um espaço de negociação, resistência, imaginação e transformação.

Fica assim o convite à submissão de propostas de comunicações e/ou painéis que investiguem o amor como um fenómeno pessoal, transcultural, histórico e político.

Serão bem-vindos contributos que aliem análises de índole teórica a especificidades empíricas ou textuais e que abordem, entre outras possíveis, as seguintes questões:

  • Como é que os conceitos e as práticas do amor se transformaram ao longo de diferentes períodos históricos e contextos culturais?
  • De que maneira é que a teoria dos afetos e a ciência dos afetos se complementam ou se contrapõem no estudo do amor?
  • Como é que género, raça, classe, sexualidade, religião e colonialidade moldam as representações e performances do amor?
  • Como é que a migração, a diáspora e os media transnacionais reconfiguram os vínculos íntimos e as comunidades afetivas?
  • Quais são os potenciais éticos e políticos do amor, designadamente a sua capacidade de promover emancipação, solidariedade ou dominação?
  • Como é que as novas tecnologias (aplicações de encontros, companheiros virtuais, IA) transformam a experiência e o discurso sobre o amor?

Incentivamos, em particular, propostas interdisciplinares que historicizem o amor, considerem práticas corporificadas e mediadas e expandam o cânone para além dos paradigmas ocidentais.

Campos de investigação

1. Estudos Literários e Culturais

  • Literatura comparada: narrativas de amor interculturais
  • Literatura mundial: circulação de tropos amorosos pelos continentes
  • Estudos clássicos: eros, philia, agape, storge
  • Estudos medievais e modernos: amor cortês, amor místico
  • Estudos pós-coloniais: amor no contexto imperial, hibridismo, resistência

2. Filosofia e Ética

  • Teorias filosóficas do amor em: Platão, Aristóteles, Agostinho, Spinoza, Beauvoir, etc.
  • Ética afetiva: cuidado, responsabilidade, relacionalidade
  • Ética transcultural

3. Antropologia e Sociologia

  • Antropologia da emoção: parentesco, ritual, casamento, sexualidade
  • Sociologia da intimidade: modernidade, globalização, intimidade digital
  • Estudos migratórios: famílias transnacionais, afeto diaspórico

4. Media, Cinema e Estudos Digitais

  • Amor no cinema global
  • Amor digital: aplicativos de namoro, romance virtual, companhia de IA
  • Narrativas transmediais

5. Género, Sexualidade e Estudos Queer

  • Amor transcultural queer
  • Teorias feministas do amor
  • Abordagens interseccionais: raça, classe, deficiência

6. Estudos Performativos e Artes Visuais

  • Performances de amor: teatro, dança, ritual
  • Amor corporificado: gesto, toque, corporalidade
  • Culturas visuais: pintura, fotografia, instalação

7. Estudos Religiosos e Mitológicos

  • Amor sagrado: relações divino-humanas
  • Mitologias do amor: arquétipos, cosmologias, motivos transculturais

Possíveis abordagens teóricas

A. Teoria dos Afetos e das Emoções

  • Amor como afeto, emoção, apego ou força política
  • Autores de referência: Sara Ahmed, Lauren Berlant, Sianne Ngai

B. Teoria Transcultural e Pós-colonial

  • O amor como tradução, crioulização, hibridização
  • Autores de referência: Homi Bhabha, Gayatri Spivak, Édouard Glissant

C. Teoria Feminista e Queer

  • Amor como resistência, relacionalidade, parentesco queer
  • Autores de referência: Bell Hooks, Judith Butler, Eve Sedgwick

D. Fenomenologia e Incorporação

  • O amor como experiência vivida, gesto, corporalidade
  • Autores de referência: Merleau-Ponty, Judith Butler, Sara Ahmed

E. Teoria Narrative e Intermedialidade

  • Como o amor é narrado em media e géneros
  • Autores de referência: Gérard Genette, Mieke Bal, Marie-Laure Ryan

F. Teorias Performativas

  • Amor como encenação, ritual, prática incorporada
  • Autores de referência: Richard Schechner, Diana Taylor

G. Teoria Digital e dos Media

  • Intimidade algorítmica, afeto mediado
  • Autores de referência: Sherry Turkle, Henry Jenkins

Informações Importantes

Diretrizes para Submissão:

  • Línguas do colóquio: português, inglês, espanhol, francês.
  • É necessário indicar no resumo qual será a língua de apresentação.
  • As propostas de comunicação (20 minutos), com um máximo de 200 palavras, devem ser acompanhadas de uma nota biográfica com não mais de 100 palavras (em português e inglês).
  • Todas as propostas devem ser submetidas através do formulário online disponível no site do colóquio: https://eventos.cehum.elach.uminho.pt/coloquiooutonoamor/

Publicação:

Está prevista a publicação de uma seleção dos contributos, obrigatoriamente redigidos em inglês, com revisão por pares. As normas editoriais e datas de submissão serão indicadas após a realização do colóquio.

Inscrição para o Colóquio

Proposta de Comunicação

Chamada de Trabalhos e Cartaz (Versão Completa PDF)

Calendarização

  • 01 de Outubro de 2026: Data limite para envio de propostas de comunicação de 20 min. ou de painéis de 3 a 4 comunicações
  • 15 de Outubro de 2026: Data limite para a notificação de aceitação
  • 31 de Outubro de 2026: Data limite para inscrição e transferência de taxas
  • 14 de Novembro de 2026: Publicação do programa definitivo
  • 19 e 20 de Novembro de 2026: Universidade do Minho

Inscrição

Inscrição Taxa
Membros CEHUM/ELACH Gratuito
Participantes externos com comunicação 50 euros
Alunos externos de pós-graduação com comunicação 25 euros
Participantes externos sem comunicação 30 euros
Alunos externos sem comunicação 15 euros

Dados de Pagamento

Nome: UNIVERSIDADE MINHO
Conta: 0171167322630 - EUR - Conta Extrato
NIB: 0035 0171 00167322630 15
IBAN: PT50 0035 0171 00167322630 15
BIC SWIFT: CGDIPTPL

Enviar o comprovativo de pagamento à Dra. Ana Maria Pereira, pelo e-mail apereira@elach.uminho.pt, acompanhado da indicação do NIF, morada e nome do/a participante, identificando no assunto do mail “Pagamento Colóquio de Outono 2026”.

Contactos

Contacto(s) do Colóquio:

Mário Matos (matos@elach.uminho.pt)
Jaime Costa (jaco@elach.uminho.pt)
Paula Guimarães (paulag@elach.uminho.pt)

Organização

Comissão Organizadora

  • Mário Matos (UM/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Jaime Costa (UM/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Paula Guimarães (UM/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Inês Tadeu (UMadeira/CEHUM/NETCult)
  • Viviane de Almeida (CEHUM/NETCult)
  • Cláudia Barros (CEHUM/NETCult)

Comissão Científica

  • Adriano Cordeiro (CEHUM/NETCult)
  • Alexandra Abranches (UMinho/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Amélia Carvalho (UMinho/ELACH/CEHUM/GAPS)
  • Ana Bessa Carvalho (UMinho/ELACH/CEHUM/GAPS)
  • Ana Gabriela Macedo (UMinho/ELACH/CEHUM/GAPS)
  • Ana Ribeiro (UMinho/ELACH/CEHUM/PLP)
  • Ângelo Martingo (UMinho/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • António Freitas (CEHUM/NETCult)
  • Bernardo Vasconcelos (UMadeira/CEHUM/NETCult)
  • Cristina Álvares (UMinho/ELACH/CEHUM)
  • Filipe Couto (Universidade Nacional Timor-Lorosae/CEHUM/NETCult)
  • Francesca Rayner (UMinho/ELACH/CEHUM/GIARTES)
  • Georgina Abreu (CEHUM/NETCult)
  • Inês Tadeu (UMadeira/CEHUM/NETCult)
  • Jaime Costa (UMinho/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • João Marcelo Martins (UMinho/ELACH/CEHUM/GELA)
  • Katarzyna Anna Pisarska (UMinho/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Luís Pimenta Lopes (UMadeira/CEHUM/EHUM2M)
  • Margarida Pereira (UMinho/ELACH/CEHUM/GAPS)
  • Mário Matos (UMinho/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Nadejda Machado (UMinho/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Orlando Grossegesse (UMinho/ELACH/CEHUM/EHUM2M)
  • Paula Guimarães (UMinho/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Sérgio Sousa (U. Macau/CEHUM/PLP)
  • Vítor Moura (UMinho/ELACH/CEHUM)
  • Xaquín Núñez Sabarís (UMinho/ELACH/CEHUM/GRUPO2I)